sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Desemprego na Espanha supera 20% no fim de 2010

A taxa de desemprego na Espanha alcançou 20,33% da população economicamente ativa (PEA) no final de 2010, nível mais alto em 13 anos, o que significa que 4,69 milhões de pessoas estão sem trabalho no país, informou nesta sexta-feira o Instituto Nacional de Estatísticas (INE).



O desemprego voltou a subir no último trimestre do ano em relação ao mesmo período de 2009, quando a taxa registrada foi 19,79% - um aumento de "meio ponto", segundo o INE. Até esse trimestre, o desemprego vinha subindo paulatinamente desde meados de 2007.



Com aproximadamente 2 milhões de desempregados em 2007, o número mais que dobrou depois da crise econômica.
Em três anos, a Espanha passou de uma taxa de menos de 8% da PEA para a marca dos 20%. No primeiro trimestre de 2009, já havia 4 milhões de espanhóis desempregados, de acordo com o INE.



A taxa registrada no fim do ano supera as previsões do governo, que calculava o desemprego no período em 19,4%. Para 2011, as autoridades estimam que a desocupação caia para 19,3% em 2011, 17,5% em 2012 e 16,2% em 2013.

Contas do governo brasileiro fecham 2010 com saldo positivo de R$ 78,9 bi

As contas do chamado governo central - composto por Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central - fecharam 2010 no azul, com saldo de R$ 78,9 bilhões, o equivalente a 2,16% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, segundo informou nesta sexta-feira o Tesouro Nacional.


Em 2009, esse resultado foi de R$ 39,4 bilhões. Somente em dezembro do ano passado, o resultado primário foi superavitário em R$ 14,4 bilhões. No último mês de 2010, a Previdência Social - que costuma apresentar déficit nas contas - registrou um superávit de R$ 3,5 bilhões. O aumento se deve, principalmente, às arrecadações das contribuições previdenciárias descontadas do 13º salário

Profissionais estrangeiros fazem fila para trabalhar no Brasil, diz jornal




Engenheiros e arquitetos americanos, espanhóis, italianos, portugueses, ingleses, chilenos e argentinos têm criado uma fila na busca de alternativas de trabalho no Brasil devido à falta de mão de obra qualificada no País e o excesso de profissionais sem emprego nos países ricos em razão da crise. De acordo com reportagem publicada pela Folha de S.Paulo neste domingo, governos e entidades de classe do exterior têm contatado empresários e associações de engenheiros e arquitetos nacionais para oferecer trabalhadores. Em alguns casos, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior(MDIC) faz a intermediação de alguns dos encontros


Ainda segundo a reportagem, para o Brasil, encurtar o processo de validar diplomas estrangeiros e oferecer autorização para o trabalho depende de contrapartidas - representantes dos trabalhadores querem aproveitar o interesse e abrir oportunidades para brasileiros nesses países ricos, fazendo acordos bilaterais. Esse processo de aprovação pode chegar a oitos meses, e o custo, passar de R$ 15 mil. O número de pedidos de registro de estrangeiros triplicou em 2010, disse o Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Confea).

Vaticano pediu a bispos irlandeses que não denunciassem abusos

Uma carta do Vaticano de 1997 recém-revelada pedia para bispos irlandeses não reportarem à polícia todos os casos de suposto abuso infantil. A divulgação da carta pode levar à abertura de mais processos contra a Igreja Católica em todo o mundo, que nega qualquer envolvimento com acobertamento dos casos.


A carta, obtida pela emissora irlandesa RTE e fornecida para a Associated Press, documenta a rejeição do Vaticano de uma iniciativa da Igreja irlandesa de começar a ajudar a polícia a identificar padres pedófilos.
A mensagem da carta debilita as persistentes afirmações do Vaticano de que a Igreja nunca instruiu bispos a reter evidência ou suspeita de crimes da polícia. Ela enfatiza o direito da Igreja de lidar com todas as alegações de abuso infantil e determinar punições, ao invés de delegar esse poder às autoridades civis.
Para ativistas, a carta de 1997 demonstra de uma vez por todas que a proteção de padres pedófilos da investigação criminal não é apenas sancionada pelos líderes no Vaticano, mas ordenada por eles.
Um argumento fundamental utilizado pelo Vaticano em defesa de dezenas de processos judiciais sobre abuso sexual clerical nos EUA é que eles não tiveram nenhum papel na ordenação de autoridades da Igreja local de eliminação de provas dos crimes.
Em sua carta pastoral de 2010 ao povo irlandês, o Papa Bento 16 não condenou bispos irlandeses por não terem respeitado a lei canônica e não ofereceu nenhuma menção explícita dos esforços de proteção às crianças da Irlanda pela Igreja da Irlanda ou do Estado.
Colm O''Gorman, diretor da divisão irlandesa da Anistia Internacional, abusado várias vezes por um padre irlandês quando era coroinha e esteve entre as primeiras vítimas a falar sobre o assunto, em meados da década de 1990, disse que há evidências de que alguns bispos irlandeses continuaram a seguir as instruções do Vaticano de 1997 e reteram relatos de crimes contra crianças até 2008.
Segunda a carta, a Congregação para o Clero estabeleceria as políticas mundiais para a proteção da infância "no momento adequado".
O Vaticano não aceitou formalmente nenhum dos três principais documentos da Igreja irlandesa sobre proteção de menores desde 1996.
Os três enfatizam a denúncia obrigatória de supostas violações.
 
Fonte: Associated Press

Presidenta Dilma Rousseff Toma Posse

A cerimônia de posse da presidente Dilma Rousseff, neste sábado (1º), em Brasília, reuniu 30 mil pessoas, além de autoridades estrangeiras de todo o mundo vieram ao Brasil para cumprimentar pessoalmente a presidente Dilma Rousseff no dia de sua posse. Nomes como Hugo Chávez, Hillary Clinton, Sebastian Piñera, Fernando Lugo e José Mujica foram parabenizar Dilma no Palácio do Planalto, em Brasília. Nos dois discursos que proferiu - no Congresso Nacional e no Parlatório do Palácio do Planalto - a nova presidente reafirmou o compromisso de combater a miséria e erradicar a pobreza. Falou também em mudanças no sistema de impostos.
Segundo ela, a luta "mais obstinada" do novo governo será "a erradicação da pobreza extrema e a criação de oportunidades para todos".
No primeiro discurso, que durou 40 minutos, Dilma reafirmou a defesa da liberdade de culto e de imprensa, disse que a corrupção "será combatida permanentemente" e que estende a mão aos partidos de oposição.
"A partir deste momento, sou a presidente de todos os brasileiros", declarou. Dilma prometeu ainda melhorias nas áreas de saúde, educação e segurança.
Dilma lembrou os tempos da juventude, quando combateu a ditadura militar e foi presa e torturada.
"Queria dizer a vocês que eu dediquei toda a minha vida à causa do Brasil. Entreguei, como muitos aqui presentes, minha juventude ao sonho de um país justo e democrático. Suportei as adversidades mais

extremas infligidas a todos que ousamos enfrentar o arbítrio. Não tenho qualquer arrependimento, tampouco não tenho ressentimento ou rancor. Muitos da minha geração, que tombaram pelo caminho, não podem compartilhar a alegria deste momento. Divido com eles esta conquista, e rendo-lhes minha homenagem", disse.
No discurso no Parlatório, Dilma agradeceu a "oportunidade que a história me deu de ser a primeira mulher a governar o Brasil".
Ela também prestou homenagem ao ex-presidente Lula. "Conviver todos estes anos com o presidente Lula me deu a dimensão do governante justo e do líder apaixonado por seu país e por sua gente. A alegria que sinto pela minha posse como presidenta se mistura com a emoção da sua despedida".
Repercussão internacional
Jornais internacionais destacaram a posse de Dilma neste sábado. A maioria noticiou principalmente a promessa que a presidente fez de acabar com a miséria no Brasil. Como no site do jornal espanhol El Pais: "Dilma Rousseff promete na posse acabar com a miséria no Brasil".
Já a rede britânica BBC ressalta o peso da responsabilidade que Dilma terá por suceder um presidente tão popular quanto Lula, que tem 80% de aprovação. A afirmação é parecida com a do jornal Washington Post, que relembra ainda que a forma dura de gestão lhe valeu o apelido de "Dama de Ferro".
O jornal francês "Le Monde" destaca a eleição "brilhante" de Dilma e lista os desafios a serem enfrentados pela primeira presidente do Brasil, como a educação.
O jornal americano "The New York Times" aponta para a responsabilidade em suceder Lula, que o chamaram de "o mais popular líder da nação na história". De acordo com o jornal, Dilma também assume no momento em que o país está "economicamente próspero".

O Tigre Virou Porquinho

Alguns jornais europeus criaram um neologismo para referir-se à Irlanda: “Direland”, uma junção das palavras dire (muito sério ou muito ruim) e Ireland (Irlanda). Sim, os últimos dois anos não têm sido fáceis para esse pequeno país de 4,5 milhões de habitantes, que viveu seu auge econômico de 1995 a 2007, quando ficou conhecido no mundo como “Tigre Celta”, numa alusão aos países asiáticos cujas economias bombaram nos anos 1990. Hoje, porém, junto com Portugal, Grécia e Espanha, a Irlanda integra o “Pigs” (porcos, em inglês), grupo de países da União Europeia (UE) cujas economias estão em grave crise e põem em xeque o futuro do bloco e do euro.
A crise de 2008 e o colapso dos setores imobiliário e bancário irlandeses, somados aos casos de pedofilia cometidos por padres e bispos católicos por anos a fio, mas só recentemente divulgados, puseram na berlinda valores morais e capitais que pautaram o país durante seu auge. Pela primeira vez, o governo irlandês precisou pedir ajuda ao Fundo Monetário Internacional e à UE, que colocaram à disposição € 85 bilhões para ajudar a cobrir o rombo. A ajuda terá preço: juro de 5,8% ao ano e uma cartilha de corte de custos e reformas no setor bancário.
Bravo por natureza, o povo irlandês, orgulhoso de sua nação construída debaixo de muito sangue e violência durante os séculos de colonização inglesa, está descontente e desconfiado. Sabe que terá de pagar a conta. O frio e a neve pesada, incomuns para um mês de novembro, não impediram que mais de 50 mil irlandeses fossem às ruas protestar, no dia 27 de novembro passado, contra o pacote.
Uma multidão voltou às ruas em 7 de dezembro, bradando palavras de ordem, enquanto o Parlamento aprovava o orçamento de 2011, com corte de gastos de € 6 bilhões. O pacote afeta programas sociais, salários de novos servidores públicos, pensões e amplia as faixas salariais com descontos de imposto de renda na fonte, que vão de 20% a 40%.
Nem o alto escalão do Estado escapou. O primeiro-ministro, Brian Cowen, terá redução de € 14 mil (5%) em seus rendimentos anuais. O futebol também pagará seu preço. A federação irlandesa de futebol propôs e o técnico da equipe, o italiano Giovanni Trapattoni, aceitou reduzir em 5% seu salário que, especula-se, está na casa de R$ 1,8 milhão ao ano.

 

 

 

Capitalismo em xeque

De economia relativamente pobre nos anos 1980, a República da Irlanda viu seu mundo ficar mais colorido quando aderiu à UE. O ingresso no bloco permitiu que o país recebesse investimentos e, com isso, pudesse desenvolver suas bases, devidamente paramentadas no conceito neoliberal, “sem se preocupar com um desenvolvimento sustentável da economia”, avalia Ben Nutty, 39 anos, mestre em História e Estudos Europeus e doutor em Educação.

Ex-membro do Green Party, partido que integra a coalizão do governo irlandês – e, apesar do nome, não tem nada de ecológico –, Nutty diz que um dos grandes erros do governo foi “relaxar nas regras de concessão de crédito pelos bancos”.
Com impostos e taxas para concorrência nenhuma botar defeito, a Irlanda tornou-se atraente e muitas empresas vieram para cá, ampliando o mercado de trabalho. Com emprego, crédito fácil e o guarda-chuva dos inúmeros programas sociais, o Estado virou um paizão, os irlandeses fizeram a festa e se endividaram até não poder mais. “Nos anos 90, os bancos emprestaram dez vezes o capital disponível, enquanto deveriam ter emprestado 2,5”, conta Nutty.
Um dos motores da economia, o setor da construção, provocou o efeito dominó que se viu dois anos atrás. O governo incentivou e os bancos emprestaram muito, aos construtores e aos compradores. O mercado aquecido levou o preço dos imóveis a níveis estratosféricos. Com a crise de 2008, muita gente perdeu o emprego, a bolha do setor estourou e bateu no mercado financeiro, coração da economia capitalista. O setor bancário irlandês, totalmente nas mãos de acionistas privados, precisou recorrer ao governo, que, em troca de ações, injetou recursos e virou quase 100% dono de alguns bancos.
Ao olhar para as máquinas paradas da Gleeson Concrete, uma fornecedora de suprimentos para o setor da construção civil localizada em Donohill, no condado de Tipperary, interior do país, Micheal Gleeson­, de 37 anos, diretor da empresa, lembra quando se viu pela primeira vez completamente perdido, sem saber que passo dar. “Foi um período muito difícil, com a redução no volume de negócios, a queda de preços e a dificuldade para receber de nossos compradores.”
De lá para cá, teve de cortar em 25% o número de empregados e reduzir o volume de horas trabalhadas. Também não adquiriu novos equipamentos e não planeja realizar novos investimentos neste ano. Na opinião de Gleeson, um dos grandes erros do governo foi superestimar o número de unidades residenciais necessárias no período de 2002 a 2007, num país com pouca terra e pouca gente. “O governo falhou muito ao deixar o setor imobiliário sem controle, permitindo que se operassem preços altíssimos. Esse é um legado que o povo irlandês terá de pagar por gerações”, critica o relações públicas Darragh Rea, de 30 anos. “Agora, a Irlanda possui centenas de casas e condomínios fantasmas, que ninguém comprou, ou comprou e não pode terminar de pagar”, completa.
No fim de 2008, Darragh comprou um sobrado de meio milhão de euros, financiado por 30 anos, com juros de cerca de 12% ao ano. “Embora meus rendimentos tenham sido reduzidos, eu e minha namorada conseguimos manter o emprego.”

Desemprego

A leis irlandesas permitem redução de salários. Foi o que ocorreu com Darragh e muita gente. O índice de desemprego triplicou em três anos. Chegou a 13,6% em outubro passado. No mesmo período de 2008, quando a crise comecou, era de 7,6%. Um ano antes, em 2007, estava em 4,7%. Muitos negócios faliram, empresas trocaram o país por outro, lojas estão fechando aos domingos porque não têm dinheiro para pagar os funcionários, situação muito visível quando se caminha pelas ruas da capital. A dificuldade para arranjar um emprego está forçando os cidadãos, especialmente os mais jovens, a aceitar trabalhos antes destinados a imigrantes, como em lojas ou supermercados.

Um dos setores mais sensíveis é o bancário, que conta basicamente com seis instituições: Allied Irish Bank (AIB), Bank of Ireland, Ulster Bank (Irlanda do Norte), Permanent TSB, National Irish Bank e Anglo Irish Bank. Os maiores são AIB e Bank of Ireland. O governo deve adquirir o controle de quase a totalidade de seus papéis. As instituições vão encolher. “Os empregados estão angustiados, sabem que podem perder o emprego”, diz Oliver Gleeson, 32 anos, que trabalha no setor de investimentos do AIB. “Ser bancário na Irlanda é desconfortável hoje em dia. É difícil ficar orgulhoso quando você vê a situação como está.”
Oliver não teve redução de salário, mas enfatiza que ganhar bônus ou participação nos lucros está fora de questão. “Antigamente, ganhávamos nossa participação nos lucros em ações. Lembro que, uma vez, precisei vendê-las e ganhei um bom dinheiro. Valiam € 23. Hoje valem € 0,40.”
Aine Nolan, 28 anos, gerente financeira de uma empresa,  diz que ainda não teve nenhum corte de salário, mas conta que seus rendimentos estão congelados há dois anos, assim como as possibilidades de ascensão. “Mudar de área ou ser promovida é coisa do passado”, salienta. Para ela, o grande erro do governo na crise foi ser fiador incondicional de todos os débitos dos bancos. “Essa garantia é claramente desastrosa”, avalia. Agora, ela vê que o povo vai pagar a conta.

Imigrante

Na época das vacas gordas, a Irlanda virou eldorado de muita gente. Poloneses, chineses e muitos brasileiros vieram para cá em busca de euros. O ingresso era facilitado pelo governo. Criou-se um boom de escolas de inglês, já que uma das exigências para o ingresso e a permissão de trabalho era estar matriculado em uma. Cláudia Oliveira da Silva, de 37 anos, formada em Comércio Exterior e moradora da zona sul da São Paulo, chegou à capital, Dublin, em 2006, com emprego de babá garantido. Ficou só seis meses, mas nunca sem trabalho. A exemplo dos irlandeses, ela provou o lado bom de ter crédito fácil. “Fiz um empréstimo no Banco da Irlanda assim que cheguei, uma linha destinada  a estudantes, pagando juros de 0,25% ao mês. A moleza, agora, acabou.”
Há dois anos, Cláudia trabalha numa loja de produtos brasileiros e afirma que a crise não chegou a atingi-la diretamente, mas há uma diferença no clima da cidade. “Sinto que há mais gente pedindo dinheiro na rua, mais gente deixando o carro em casa para pegar ônibus. Também vejo mais irlandeses fazendo compras em supermercados populares, onde antes só os imigrantes compravam”, observa. “Vejo mais desemprego entre brasileiros, gente indo embora, comprando menos produtos aqui.” Apesar disso, não pensa em voltar, porque se sente mais segura em Dublin e por achar que aqui administram-se as contas mais facilmente que no Brasil.
O jornalista Márcio Roberto do Prado, de 39 anos, que veio de Jundiaí (SP) e viveu na Irlanda mais de quatro anos, estava voltando para o Brasil em dezembro. Não por causa da crise, mas porque está cansado. Não descarta, porém, voltar. Em Dublin, ele sempre trabalhou muito, muito pesado, e acha que nunca lhe faltou serviço porque “nunca disse não” à chefia. Virou faxineiro, trabalho honestamente recompensado. Chegou a passar noites trabalhando e diz que nunca faltou dinheiro, enquanto no Brasil “sempre andava duro”. Veio para juntar, e juntou. Mas não aconselha ninguém a cair na lábia das agências de intercâmbio e vir para cá pensando em ganhar dinheiro.
A abertura do país para imigrantes trouxe novos elementos para a sociedade irlandesa que, antes, vivia num mundo à parte: o racismo e a xenofobia. Não são incomuns ataques a chineses, coreanos, brasileiros e negros nas ruas da capital.
Uma das vítimas foi o designer Diego Danilo Santana de Souza, de 27 anos. Vindo de Cotia (SP), e há quatro meses na cidade, Danilo foi atacado por um bando de desocupados à procura de encrenca num sábado à noite. Foi surrado duas vezes, próximo de uma das ruas comerciais mais caras do mundo. Estava em seu primeiro dia de trabalho numa pedicab, bicicleta-táxi que aluga por € 80 semanais para conduzir especialmente turistas. “Um casal me socorreu e chamou a polícia, que me levou para casa e prometeu investigar.”
Ao chegar em casa, Danilo teve uma crise de pânico. “Ele teve um apagão e começou a chorar. Não se lembrava de nada, nem de meu nome”, conta Talita Salgado, 24 anos, namorada do rapaz. Foi levado ao hospital e, como não havia médico de plantão na madrugada, as enfermeiras o mandaram para casa. Assustados, ambos não veem a hora de voltar ao Brasil, mas pretendem terminar o curso de inglês.

Futuro

Darragh Rea considera o pacote “um remédio amargo” a ser tomado, mas também atribui aos irlandeses a atual situação. A opinião é compartilhada por Micheal: “A população tomou emprestado mais do que podia pagar”. Ele critica o comportamento do irlandês, que agiu como um “carneirinho” quando seguiu as recomendações do governo de que teriam de “adquirir logo a casa própria antes de os preços subirem ainda mais”.
Ninguém acredita que o pacote vá funcionar, tampouco aponta outra solução. “O governo não tem condições de pagar esse dinheiro de volta. É necessário que se repense a economia do país, criando bases sólidas para um desenvolvimento sustentável, sem consumo desenfreado e respeitando o planeta”, observa Ben Nutty, um dos membros de um novo partido, o Fis Nua (New Vision), cuja bandeira é ambientalista.
Atualmente, o governo tem a maioria no Parlamento, mas especialistas acreditam que o cenário deve mudar.

Para o bancário Oliver, pode ser a chance de o irlandês recuperar sua autoestima como nação. “Somos um país pequeno e fraco economicamente, pelo qual ninguém se interessa. Precisamos, dentro das dimensões do que somos, que o mundo esteja saudável para que sejamos saudáveis também.”

Fonte: RedeBrasilAtual, texto por Adriana Cardoso

Curiosidades a respeito da Irlanda

Mas você sabia que…
  • Não tem cobras na Irlanda. É verdade, você jamais vai encontrar esse réptil por aqui. Diz a lenda que São Patrick, padroeiro do país, expulsou todas as cobras da ilha e elas nunca mais voltaram. Mas há alguns céticos que atribuem a ausência do animal ao clima gelado;
  • Assim como na Inglaterra, os motoristas dirigem do lado direito do veículo e do lado esquerdo da rua. Como quase o mundo inteiro usa outro sistema de direção, o governo tenta evitar acidentes com turistas, escrevendo no chão das vias para onde o pedestre deve olhar antes de atravessar;
  • A Irlanda tem duas línguas oficiais: o inglês e o gaélico (também chamado de “irish”). Poucas pessoas falam gaélico corretamente, mas todos são obrigados a estudar a língua na escola. Os turistas geralmente não ouvem esse idioma, mas se deparam com as palavras difíceis em algumas sinalizações de rua e em placas nos transportes públicos;
  • A lei proíbe que o comércio distribua sacolinhas de plástico. Quem não tiver bolsas ou mochilas para carregar as compras, precisa pagar pela sacola. A mais barata custa em torno de €0,20, mas dependendo do tamanho e da qualidade pode chegar a mais de €1,00. Como a maioria dos supermercados não tem estacionamento e os clientes quase sempre fazem compras a pé, é muito comum ver pessoas carregando galões de leite, pizzas e papel higiênico na mão no meio da rua;
  • As máquinas substituíram as pessoas em alguns supermercados. É comum encontrar caixas self-service, onde o cliente sozinho passa as compras, coloca o dinheiro, pega a nota fiscal e o troco;
  • Irlandeses famosos: Pierce Brosnan, Colin Farrell, Enya, Damien Rice, U2, The Cranberries, The Corrs, Westlife, Samuel Beckett, James Joyce, Oscar Wilde;
  • O pessoal do transporte público se preocupa com os baladeiros. Após a meia-noite, quando a maioria das linhas de ônibus regulares pára de funcionar, entra em ação o Night Link – ônibus que circulam de madrugada, em horários pré-determinados, e que custam €5,00. Mas quando se está em uma turma grande de vizinhos, pode compensar mais pegar um táxi. O problema é conseguir um, já que muita gente acaba tendo a mesma idéia no fim das festas;
  • É proibido fumar no interior das baladas e, por isso, muitos estabelecimentos têm uma área ao ar livre dedicada aos fumantes. Ruim para quem fuma, porque às vezes passa um friozinho no local descoberto, mas ótimo para todos, porque o ambiente fica mais limpo e ninguém volta para casa com cheiro de fumaça;
  • Não existe conta de água para residências. É isso aí! Você vai tomar banho e não vai pagar pela água. Mas não é por isso que deve desperdiçar esse bem precioso. Na Irlanda, somente as empresas pagam pelo fornecimento do recurso;
  • Os banheiros não têm interruptores e quase nenhum tem tomada. Isso porque a voltagem é 220 e esses cômodos aqui costumam ser mais úmidos do que o normal. A combinação da umidade com a voltagem alta é considerada perigosa e o resultado é que a pessoa precisa acender a luz pelo lado de fora do banheiro;
  • Você pode tirar dinheiro de qualquer caixa eletrônico, mesmo se não for o do seu banco – sem pagar taxa por isso;
  • Aqui não se compra remédio sem receita médica. Em algumas farmácias há médico de plantão para casos de emergência, mas o preço da consulta fica em torno de €50,00;
  • Os irlandeses costumam comer no café-da-manhã um feijão que vem enlatado com molho de tomate e tem gosto levemente adocicado. Mas quem não abre mão da especialidade brasileira, pode ficar tranqüilo: não é difícil achar lojas que vendam feijão preto ou do tipo carioquinha;
  • A arquitetura de grande parte das casas segue o estilo georgiano. São todas iguais e o que diferencia uma residência da outra são as cores da portas. Muitos cartões-postais de Dublin mostram essas portas coloridas;
  • Os carrinhos de bebês dominam as calçadas, principalmente em Dublin. Às vezes você encontra crianças de até 4 ou 5 anos dando passeio nos carrinhos, que as mães e babás empurram calmamente ocupando todo o espaço dos pedestres;
  • Dublin é dividida pelo rio Liffey. Ao norte do rio, os códigos postais são ímpares (exemplo, Dublin 1, Dublin 3…) e ao sul, são os números pares. Há uma certa rivalidade entre os moradores das duas partes. Mas é certo que na região sul ficam os bairros mais chiques;
  • Dos imigrantes que estão em Dublin, destacam-se os poloneses. Eles são a maioria. É muito comum encontrar mercadinhos e lojinhas polonesas por toda a cidade. Orientais, africanos e pessoas de outros países do leste europeu também marcam presença na capital irlandesa. Além, claro, dos inconfundíveis brasileiros.